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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Presidente do Atlético esperneia com medo de perder título pro Cruzeiro


Cruzeiro venceu 15 clássicos em 23 partidas, nos últimos 5 anos

A freguesia do Atlético-MG diante do Cruzeiro nos últimos 5 anos continua. Neste 26.08.2012, domingo, no Estádio Independência, o Cruzeiro empatou com o seu rival em 2 x 2.
Nos últimos 23 jogos,  o Atlético-MG ganhou apenas 4 partidas, em mais de 5 anos. Enquanto isso, o Cruzeiro venceu 15 partidas, desde 06.05.2007.  Neste período, foram 3 empates.
Esta é a razão da grande grita que o presidente Elias Kalil faz ao empatar com o Cruzeiro, neste domingo.
Tem atleticano que fala que título nenhum serve se não ganhar do Cruzeiro. Portanto, o Cruzeiro botou água no chopp do Atlético, neste domingo. O último jogo do Campeonato Brasileiro para os dois times será o clássico mineiro. 
Se depender de vitória, será que o Atlético, com uma bela campanha, vai deixar escapar a chance? perguntam alguns atleticanos.
  • Confira a lista dos últimos 23 clássicos entre Cruzeiro e Atlético-MG:
Data
Resultado
Competição
26/08/2012
Cruzeiro 2 x 2 Atlético-MG
Campeonato Brasileiro
08/04/2012
Cruzeiro 2 x 2 Atlético-MG
Campeonato Mineiro
04/12/2011
Cruzeiro 6 x 1 Atlético-MG
Campeonato Brasileiro
28/08/2011
Cruzeiro 2 x 1 Atlético-MG
Campeonato Brasileiro
15/05/2011
Cruzeiro 2 x 0 Atlético-MG
Campeonato Mineiro
08/05/2011
Atlético  2 x 1  Cruzeiro
Campeonato Mineiro
12/02/2011
Atlético  4 x 3  Cruzeiro
Campeonato Mineiro
12/10/2010
Atlético  4 x 3  Cruzeiro
Campeonato Brasileiro
20/02/2010
Cruzeiro 3 x 1 Atlético-MG
Campeonato Mineiro
12/10/2009
Cruzeiro 1 x 0 Atlético-MG
Campeonato Brasileiro
12/07/2009
Atlético  3 x 0 Cruzeiro
Campeonato Brasileiro
03/05/2009
Cruzeiro 1 x 1 Atlético-MG
Campeonato Mineiro
26/04/2009
Cruzeiro 5 x 0 Atlético-MG
Campeonato Mineiro
15/02/2009
Cruzeiro 2 x 1 Atlético-MG
Campeonato Mineiro
17/01/2009
Cruzeiro 4 x 2 Atlético-MG
Copa Bimbo
19/10/2008
Cruzeiro 2 x 0 Atlético-MG
Campeonato Brasileiro
13/07/2008
Cruzeiro 2 x 1 Atlético-MG
Campeonato Brasileiro
04/05/2008
Cruzeiro 1 x 0 Atlético-MG
Campeonato Mineiro
27/04/2008
Cruzeiro 5 x 0 Atlético-MG
Campeonato Mineiro
09/03/2008
Cruzeiro 0 x 0 Atlético-MG
Campeonato Mineiro
16/09/2007
Cruzeiro 4 x 3 Atlético-MG
Campeonato Brasileiro
24/06/2007
Cruzeiro 4 x 2 Atlético-MG
Campeonato Brasileiro
06/05/2007
Cruzeiro 2 x 0 Atlético-MG
Campeonato Mineiro

Zagueiros do Vale marcam gol e brilham no empate no Independência


MATEUS DO CRUZEIRO, DE TURMALINA, E LEONARDO SILVA, DO ATLÉTICO, DO SERRO, MARCARAM GOLS DECISIVOS NO CLÁSSICO ENTRE CRUZEIRO E ATLÉTICO

O zagueiro Mateus marcou o gol de empate do clássico, no finzinho da partida.

Cruzeiro e Atlético fizeram a volta do Superclássico a BH neste domingo, 26.08, depois de dois anos e meio longe da capital por causa das obras no Mineirão. 

Em partida truncada no Independência, com a presença somente de torcedores celestes, após decisão de jogo de torcida única, as duas equipes demonstraram nervosismo em vários momentos do duelo. O excesso de vontade e a falta de criatividade dos times fizeram com que o placar fosse igual. 

Dois zagueiros dos dois times foram destaques no clássico: Mateus, pelo Cruzeiro, e Leonardo Silva, pelo Atlético. Embora adversários, uma coisa eles têm em comum: ambos nasceram no Vale do Jequitinhonha. Mateus é de Turmalina e Leonardo Silva nasceu no Serro, ambas cidades no Alto Jequitinhonha.
Mateus foi um leão na defesa, na marcação cerrada sobre Ronaldinho e o rápido ataque do Atlético. Fez vários desarmes e ainda marcou o gol de empate, no último minuto do jogo.
Zagueiro Leonardo Silva marcou um golaço no fim do primeiro tempo.

Leonardo Silva também não foi diferente. Junto com o companheiro de defesa Rever evitou que as arrancadas de Montillo se redundassem em gols para o Cruzeiro. No final do primeiro tempo, pegou um rebote da defesa do Cruzeiro e marcou um belo gol, com chute certeiro no ângulo direito do gol de Fábio.

Além deles, os craques do dois times fizeram a diferença. Ronaldinho Gaúcho marcou um golaço no fim e quando parecia que o Galo sairia vitorioso, Mateus empatou no minuto final, após belo passe de Montillo: 2 a 2.

O Cruzeiro entrou em campo disposto a contra-atacar e saiu na frente com Wallyson. Mas no fim do primeiro tempo, a pressão alvinegra surtiu efeito. Após escanteio, o zagueiro Leonardo Silva pegou o rebote de uma dividida e acertou um chute no ângulo, deixando sua marca contra o ex-clube. No fim do jogo, em arrancada do meio-campo, Ronaldinho Gaúcho, em jogada individual, driblou três jogadores e tocou no canto de Fábio. O empate celeste veio com Mateus, que deixou tudo igual após cruzamento rasteiro no fim do embate. 
Com informações do Superesportes
Rodrigo Clemente/EM/D.A Press.
Montillo e Ronaldinho Gaúcho foram os nomes do jogo no Estádio Independência

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Recordes e fracassos nos lembram que somos mortais

OLIMPÍADAS, OS EXTREMOS
Por Affonso Romano de Sant'Anna
Medalhas do sucesso: ouro, prata ou bronze. Ou nenhuma.
Primeiro esta observação quase estapafúrdia: as Olimpíadas derivam dos ritos funerários 700 anos antes de Cristo Parece um paradoxo: a excelsa celebração do corpo é um contraponto à decomposição do próprio corpo. É a vida vingando-se da morte. Todas as culturas têm ritos sofisticadíssimos para exorcizar a morte. Segundo um ditado antigo: os mortos governam os vivos. Segundo os maldosos: alguns governantes já morreram há muito, apenas se esqueceram de deitar o caixão.

Seja como for, a Olimpíada é o momento de esplendor da vida. É o momento em que o herói, por um instante, é imortal. Por isto, lhe conferem o ouro – o brilho, a perenidade, a glória. E nós assistimos a isso porque queremos ver a superação de nossas deficiências. Até os deficientes físicos têm sua Olimpíada. Eles, todos nós nos superamos por meio do outro.

Daí que as Olimpíadas sejam o momento em que os extremos se encontram, se chocam, se abismam e nos levam às alturas ou nos prostram aterrados. Ali está, por exemplo, aquela coreana lutadora de esgrima. Derrotada. Bastou um segundo para desgraçar-lhe quatro anos de preparação, destruir o sonho com o extasiante ouro olímpico. Ela está sentada com o florete abatido, inútil. Perplexa. A derrota a assombrou. Os juízes dizem que a oponente venceu, que ela tem que sair do pódio. Ela não sai. Fica ali 45 minutos. Destroçada. O estádio inteiro, as televisões do mundo inteiro de olho nela, esperando que assimile a derrota.

Ela tem razão, a derrota não é aceitável. Derrota é morte. E ela foi ali pela vida.

E ficamos divididos.

Se as Olimpíadas fossem só um festival de vitórias, seria um tédio. Onde a surpresa? O imprevisto? Onde o fracasso? O fracasso nos interessa, nos fascina. O fracasso nos torna novamente humanos.

Às vezes, por um instante, somos deuses. A chinesinha vem, dá aqueles saltos ornamentais fabulosos e temos certeza que ela é de borracha. Não é possível que um ser humano dê tantas piruetas e caia com a precisão de um objeto ou como se fosse uma figura projetada pelo computador. Estamos em êxtase. 

Mas vem outra atleta. E parece que está tudo bem, e está. Por enquanto. De repente, ela dá um salto sobre aquela barra de 10 centímetros e se estabaca como um mamulengo. Tornou-se um ser humano falível, desprezível, irremediável. E temos pena dela. Temos pena de nós mesmos. Por um momento fomos deuses. E fracassamos.

As multidões vão aos estádios festivamente, mas estão à mercê desse paradoxo. Mesmo os que parecem olhar desatentos a televisão num bar ou restaurante estão de olho no acaso. Eles querem testar, no outro, seus próprios limites. Quando alguém bate um recorde, provou-me que posso ir além de mim mesmo. Quando alguém fracassa, ensinou-me que não sou deus, sou um reles mortal. Sou, como dizia Eça de Queirós, “um pobre homem de Póvoa de Varzim”, ou, como disse Fernando Pessoa, “não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada. À parte isto, tenho em mim todos os sonhos do mundo”.

Dizem que na Grécia antiga havia quatro instituições que organizavam a vida social: a política, a religião, a poesia e o atletismo. E o herói que recebesse mais prêmios na Olimpíada merecia um poema de Píndaro. Certa vez um desses poemas foi eternizado em ouro no Templo de Minerva. Pois bem. Lá vem o Michael Phelps com o peito cheio de medalhas. O homem é ouro puro. Destronou uma russa que era campeã de vitórias e hoje é avó.

Digam-me: se perguntasse a ele, em plena pós-modernidade, se quer um poema, o que ele diria?
Affonso Romano de Sant'Anna é cronista, poeta e professor de literatura, de Belo Horizonte. mora há mais de 40 anos no Rio. Já publicou "Que pais é este? e outros poemas", "Que presente te dar", Catedral de Colônia, e muitos outros livros. Escreve todos os domingos no jornal Estado de Minas. 

Fonte: Jornal Estado de Minas - Caderno EM Cultura - 05/08/2012, com a grata dica do Tadeu Oliveira, do Blog Cantaminas.