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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A fórmula nada secreta das escolas campeãs


Antônio Costa/Gazeta do Povo
Antônio Costa/Gazeta do Povo / A baixa rotatividade de professores é uma das medidas adotadas na Escola Municipal São Luiz, de CuritibaA baixa rotatividade de professores é uma das medidas adotadas na Escola Municipal São Luiz, de Curitiba
EDUCAÇÃO

Não existe milagre. As escolas com as melhores notas no Ideb 2011 têm receitas simples como disciplina e diretores comprometidos

Publicado em 19/08/2012 | ANNA SIMAS E DENISE PARO, DA SUCURSAL DE FOZ
O segredo do sucesso das escolas que tiveram as melhores colocações no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011 não se trata de nenhuma inovação educacional ou tecnológica. Pelo contrário. Todas seguem um modelo tradicional de organização, disciplina e cobrança de resultado, uma fórmula que pode ser aplicada em qualquer lugar, sem mistério.
Para que esse modelo funcione, o primeiro passo é uma boa gestão. Diretores comprometidos e rigorosos são capazes de transformar o espaço escolar e conquistar bons resultados. Na Escola Estadual Ângelo Trevisan, de Curitiba, – 3.º lugar do Paraná nos anos finais do ensino fundamental, com nota 6,1 – a diretora Gorete Stival Paula cobra a participação dos pais na educação dos filhos.
Check list
Ao visitar uma escola, esteja atento a características que ajudam as instituições a alcançarem ótima colocação no Ideb:
• Disciplina.
• Aula de reforço em contraturno em todos os bimestres.
• Limpeza e organização do espaço físico.
• Valorização do professor, incentivando que ele trabalhe por muitos anos na mesma escola.
• Participação dos pais nas reuniões bimestrais.
• Turmas pequenas, o que possibilita o professor dar atenção igual a todos os alunos.
• Diretores comprometidos e exigentes.
• Planejamento pedagógico seguido à risca.
• Recurso da APMF para a compra de materiais que faltam.
• Atividades extracurriculares que complementam assuntos vistos em sala.
• Colaboração da comunidade, como a liberação de espaços que faltam nas escolas, a exemplo de quadras de esporte e salão de eventos.
Valorização
A valorização do professor e o reconhecimento do seu trabalho fazem com que ele se sinta motivado a continuar os estudos e aprimorar o currículo. No Colégio Militar de Curitiba, por exemplo, 63% dos docentes civis têm mestrado, sendo que parte deles tem dedicação exclusiva. Já em Foz do Iguaçu, os professores de todas as escolas da rede municipal recebem 14º salário quando a instituição em que trabalham atinge uma meta estabelecida para o Ideb. Dependendo do resultado, até um 15º salário pode ser incorporado.

Christian Rizzi/Gazeta do Povo
Christian Rizzi/Gazeta do Povo / Turmas da Escola Municipal Santa Rita de Cássia, de Foz, têm dois professores em salaAmpliar imagem
Turmas da Escola Municipal Santa Rita de Cássia, de Foz, têm dois professores em sala
Ela chega a fazer mais de quatro sessões de uma mesma reunião até que todos os pais compareçam. “Faço assim [convoca quantas reuniões for preciso] até que todos venham e conversem com as professoras para saber como seu filho está na escola”, comenta.
Na Escola Municipal Pre­sidente Pedrosa – nota 7,5 nos anos iniciais do ensino fundamental (mesmo desempenho de outros oito colégios do estado), 1.ª de Curitiba e 12.ª do Paraná –, a cobrança é semelhante, só que com os professores. As diretoras Rosângela de Jesus Narciso e Viviane de Fátima Estegues exigem que todos sigam à risca o planejamento pedagógico elaborado semanalmente. Lá, tudo é pré-avaliado, desde as tarefas de casa até o livro a ser lido por um contador na biblioteca. Essa metodologia contribuiu para que a nota saltasse 2,1 pontos em seis anos.
Um dos problemas apontados pela superintendente da Educação da Secretaria de Estado da Educação (Seed), Meroujy Giacomassi Cavet, para o baixo desempenho de uma escola é a alta rotatividade de professores. Na maioria dos colégios que se destacou no Ideb no Paraná, isso é algo bem longe de ocorrer. O quadro efetivo de docentes permite que eles tenham maior comprometimento com a proposta pedagógica e, com isso, possam acompanhar de perto o desempenho de cada estudante.
Essa supervisão, aliada à vontade do professor de estar em sala e ensinar, resulta em qualidade. “Aqui, o profissional cumpre o seu papel. Cobra tarefa, dá aula de reforço, conversa com a família do aluno e pede que ela, em casa, acompanhe as atividades do filho”, conta a diretora da Escola Municipal São Luiz, Simone da Cunha, que também teve nota 7,5 e divide colocação com a Presidente Pedrosa.
Equipe multidisciplinar
Nas escolas Santa Rita de Cássia, João Paulo I e Benedicto Cordeiro, de Foz do Iguaçu – que ficaram entre as dez melhores do Brasil, entre 51.809 colégios de anos iniciais –, além das aulas de reforço e das turmas reduzidas, os alunos são acompanhados por uma equipe de fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais.
Na campeã nacional do Ideb, a Escola Santa Rita de Cássia, alunos do 5.º ano têm duas professoras, em vez de uma. Cada profissional trabalha com as disciplinas que mais tem afinidade. A experiência, em prática desde 2007, tornou-se um diferencial porque possibilita ao aluno interagir com diferentes abordagens. “Os estudantes dialogam com dois professores e isso estimula o conhecimento. Às vezes, eles se cansam de ouvir um só”, diz a professora Leda Márcia Dias Dal Lin, responsável pelas disciplinas de Português e Ciências.
Espaço conservado: um bom começo
Uma escola bem conservada, sem pichações e sem carteiras e janelas quebradas faz toda a diferença no desempenho do aluno. Das oito escolas visitadas pela reportagem, em Curitiba e Foz do Iguaçu, todas são exemplos de que – mesmo com estrutura antiga, mas limpa e organizada, e sem recursos para comprar equipamentos modernos – é possível deixar o local confortável e acolhedor para os estudantes.
O consultor educacional Renato Casagrande explica que esse fator reflete na forma como os alunos enxergam o lugar em que estudam e gera respeito tanto pelo ambiente como pelo responsável por ele, que é a figura do diretor.
Porém, nem sempre o recurso destinado pelo governo dá conta de suprir todas as necessidades. É aí que entra, mais uma vez, a família. Boa parte do que as escolas gastam com material de limpeza e de papelaria é proveniente de recursos da Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF). Na última festa junina da Ângelo Trevisan, por exemplo, a associação arrecadou R$ 47 mil, dinheiro usado na escola ao longo do ano.
O tamanho da escola também afeta o desempenho de alunos e professores. As três campeãs de Foz são pequenas e contam com no máximo 30 alunos em cada sala, modelo que recebe elogios da professora do setor de Educação da UFPR Araci Asinelli da Luz. “Não tem como você fazer vínculos e dar um atendimento personalizado em uma sala com 50 alunos”, diz.
Aliadas ao ambiente estruturado, todas essas escolas provam ainda que a disciplina não é coisa do passado. Em todas, diretores e professores estão preocupados em manter o local sem bagunça e fazer o aluno respeitar e obedecer ao professor, seja no cumprimento das tarefas ou na postura no pátio e em sala.
Contribuição enviada pelo Alexandre Macedo, do Movimento Muda Capelinha. Ele é Assistente Social e trabalha em Curitiba- Paraná.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Pequenos municípios do Vale se destacam no IDEB 2011

A pequena Leme do Prado, no Alto Jequitinhonha, leva o primeiro lugar na 4ª série/5ºano e 8ª série/9º ano, com maiores médias de Minas e do País  
Municípios polo como Araçuaí e Almenara, sedes de Superintendência Regional de Ensino, decepcionam e não alcançam meta do MEC
Diamantina, o berço do saber escolar tradicional, ficou em 29º lugar na 4ª série/5ºano e em 35º lugar com as notas da 8ª série/9ºano 
Os municípios do Vale do Jequitinhonha conseguiram um bom resultado no IDEB 2011, segundo as notas divulgadas pelo Ministério da Educação, no dia 14 de agosto, terça-feira. Quase todos os municípios melhoraram as suas notas em relação ao IDEB de 2009. Esta avaliação é realizada de dois em dois anos.
Os pequenos municípios se destacaram, principalmente Leme do Prado, no Alto Jequitinhonha, que  ficou em primeiro lugar entre 64 municípios do Vale do Jequitinhonha, no nordeste de Minas Gerais. As escolas deste município de apenas 4.814 habitantes (IBGE, 2010), vizinho a Minas Novas e Turmalina, tiveram um desempenho de destaque nacional. A Escola Estadual Santos Barroso obteve uma das maiores notas do país: 7,2. 

Outros destaques dos pequenos municípios foram para Francisco Badaró e Gouveia que obtiveram 6,3 na 4ª série/5º ano. Na 8ª série/9º ano, Gouveia ficou em primeiro lugar junto com Leme do Prado, com 5,3. Francisco Badaró obteve 4,8, ficando em 8º lugar. Turmalina obteve 6,8 na 4ª série ficando em 2º lugar. Na 8ª série, ficou em 7º lugar com 4,8.
Mais destaques: Novorizonte, com as notas de 6,7 e 4,8; Angelândia com 6,2,  Aricanduva e Rio do Prado 6,0, na 4ª série.  Na 8ª série/9º ano, José Gonçalves de Minas  com 5,3 e Felisburgo com 5,0,  também brilharam.   

As grandes decepções foram os municípios-polo da região: Diamantina, Araçuaí e Almenara.
Diamantina é o nosso berço histórico da educação tradicional da região, com o Colégio Nossa Senhora das Dores, Colégio Militar e UFVJM - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. E ainda vai receber um IFET - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia. É sede de Superintendência Regional de Ensino - SRE. 
As escolas do município alcançaram a média de 5,6 na 4ª série/5º ano, ficando em 29º lugar entre os municípios do Vale. Na 8ª série/9º ano obteve apenas 4,2, o limite da meta estipulada pelo MEC. Ficou em 35º lugar entre 64 municípios do Vale.  

Araçuaí e Almenara levaram notas vermelhas nas notas alcançadas no IDEB 2011. Elas não alcançaram as metas estabelecidas pelo MEC: obter o mínimo de 4,2 na 4ª série e 5,5 na 8ª série.

Araçuaí, no Médio Jequitinhonha, é sede de Superintendência Regional de Ensino, o tradicional Colégio Nazareth e escolas particulares bem avaliadas. Possui o IFET e vai instalar um campus da UFVJM. As escolas do município obtiveram 5,3 na 4ª série, ficando em 44º lugar entre os municípios do Vale. Na 8ª série, obteve 4,0 ficando em 42º lugar no ranking do Vale.

Almenara, no Baixo Jequitinhonha, foi outra decepção. A cidade tem um IFET, é sede de uma SRE e também receberá um campus da UFVJM. Almenara ficou ainda pior que Araçuaí. Obteve 5,0 na 4ª série, ficando em 50º lugar no Vale. Na 8ª série, obteve 3,8 ficando no 55º lugar, entre os últimos do Vale do Jequitinhonha. 
Embora o IDEB seja um indicador questionável ele é o principal referencial de medição de eficácia e eficiência das escolas da Educação Básica no Brasil.

As escolas precisam analisar os seus resultados e debater com os gestores, Superintendência e Secretarias Municipais de Educação, quais são os entraves de educação e quais as possíveis alternativas para alcançar resultados melhores.
A primeira medida seria conhecer as experiências exitosas das escolas dos municípios que obtiveram bons resultados. Depois, procurar refletir sobre os processos, metodologias e ações pedagógicas praticadas nas suas escolas, para elaborar um planejamento que possibilite alcançar melhores resultados. 
RANKING DO  IDEB 2011 – MUNICÍPIOS DO VALE DO JEQUITINHONHA
NORDESTE DE MINAS GERAIS
NOTAS IDEB 4ª SÉRIE /5º ANO - 2011

NOTAS IDEB 8ª SÉRIE/9º ANO - 2011
MUNICÍPIO
NOTA

MUNICÍPIO
NOTA
01
Leme do Prado
7,2

01
Leme do Prado
5,3
02
Turmalina
6,8

02
Gouveia
5,3
03
Novorizonte
6,7

03
José Gonçalves de Minas
5,3
04
Itamarandiba
6.5

04
Felisburgo
5,0
05
Capelinha
6,4

05
Malacacheta
4,9
06
Francisco Badaró
6,3

06
Itamarandiba
4,9
07
Gouveia
6,3

07
Turmalina
4,8
08
Angelândia
6,2

08
Francisco Badaró
4,8
09
Novo Cruzeiro
6,1

09
Novorizonte
4,8
10
Rio do Prado
6,0

10
Capelinha
4,7
11
Aricanduva
6,0

11
Berilo
4,7
12
Taiobeiras
6,0

12
Itinga
4,7
13
Veredinha
5,9

13
Jequitinhonha
4,7
14
Bocaiúva
5,9

14
Minas Novas
4,7
15
Virgem da Lapa
5,9

15
Datas
4,6
16
Botumirim
5,9

16
Veredinha
4,6
17
Grão Mogol
5,8

17
Setubinha
4,6
18
Minas Novas
5,8

18
Felício dos Santos
4,5
19
Olhos DÁgua
5,8

19
São Gonçalo do Rio Preto
4,5
20
Salinas
5,8

20
Aricanduva
4,4
21
Setubinha
5,8

21
Botumirim
4,4
22
Itinga
5,7

22
Couto Magalhães de Minas
4,4
23
José Gonçalves de Minas
5,7

23
Olhos DÁgua
4,4
24
Couto Magalhães de Minas
5,7

24
Salinas
4,4
25
Malacacheta
5,7

25
Serro
4,4
26
Berilo
5,6

26
Taiobeiras
4,4
27
Cachoeira do Pajeú
5,6

27
Cachoeira do Pajeú
4,3
28
Franciscopolis
5,6

28
Franciscópolis

4,3
29
Diamantina
5,6

29
Grão Mogol
4,3
30
Monte Formoso
5,5

30
Senador Modestino Gonçalves
4,3
31
Datas
5,4

31
Cristália
4,2
32
Bandeira
5,4

32
Jenipapo de Minas
4,2
33
Jordânia
5,4

33
Rubim
4,2
34
Rubim
5,4

34
Virgem da Lapa
4,2
35
São Gonçalo do Rio Preto
5,4

35
Diamantina
4,2
36
Senador Modestino Gonçalves
5,4

36
Águas Vermelhas
4,1
37
Felisburgo
5,4

37
Angelândia
4,1
38
Caraí
5,3

38
Bandeira
4,1
39
Coronel Murta
5,3

39
Itaobim
4,1
40
Itaobim
5,3

40
Joaíma
4,1
41
Jenipapo de Minas
5,3

41
Bocaiúva
4,1
42
Pedra Azul
5,3

42
Araçuaí
4,0
43
Rubelita
5,3

43
Chapada do Norte
4,0
44
Araçuaí
5,3

44
Josenópolis
3,9
45
Chapada do Norte
5,2

45
Jacinto
3,9
46
Jequitinhonha
5,2

46
Jordânia
3,9
47
Padre Paraíso
5,1

47
Novo Cruzeiro
3,9
48
Santa Cruz de Salinas
5,1

48
Padre Paraíso
3,9
49
Divisa Alegre
5,0

49
Pedra Azul
3,9
50
Almenara
5,0

50
Rio do Prado
3,9
51
Josenópolis
5,0

51
Coronel Murta
3,8
52
Ponto dos Volantes
5,0

52
Comercinho
3,8
53
Santa Maria do Salto
5,0

53
Santo Antônio  do Jacinto
3,8
54
Serro
5,0

54
Caraí
3,8
55
Águas Vermelhas
4,9

55
Almenara
3,8
56
Comercinho
4,8

56
Ponto dos Volantes
3,7
57
Divisópolis
4,8

57
Rubelita
3,7
58
Felício dos Santos
4,8

58
Santa Cruz de Salinas
3,7
59
Mata Verde
4,8

59
Divisa Alegre
3,6
60
Cristália
4,6

60
Salto da Divisa
3,6
61
Jacinto
4,5

61
Mata Verde
3,5
62
Salto da Divisa
4,5

62
Palmópolis
3,4
63
Santo Antônio do Jacinto
4,5

63
Santa Maria do Salto
3,4
64
Palmópolis
4,3

64
Divisópolis
3,2
* As notas em vermelho não alcançaram a meta estabelecida pelo Ministério de Educação, no IDEB de 2011: 5,5 para a 4ª série/5º ano e 4,2 para a 8ª série/9º ano. 
Fonte: MEC – INEP, http://ideb.inep.gov.br/resultado/
Tabela elaborada por Albano  Silveira Machado , do Blog do Banu, em  agosto de 2012